Crenças alimentares são preditoras de comer transtornado em adolescentes universitárias do curso de nutrição
Resumo
Objetivo: Identificar a relação entre comer transtornado e crenças alimentares em adolescentes do sexo feminino estudantes de nutrição. Métodos: Estudo transversal conduzido com 50 participantes entre 18 e 19 anos, estudantes de nutrição de uma instituição privada. O comer transtornado foi avaliado pela Escala de Atitudes Alimentares Transtornadas (EAAT-17), composta por 17 itens em escala Likert, com pontuação total variando de 17 a 80. As crenças alimentares (positivas, negativas e permissivas) foram avaliadas pelo Eating Beliefs Questionnaire (EBQ-18), composto por 18 itens com respostas em escala de 1 a 5, totalizando escore entre 18 e 90 pontos. Foram coletados dados sociodemográficos e antropométricos (peso e altura autorreferidos) para cálculo do Índice de massa corporal (IMC). A análise estatística foi realizada no software JAMOVI, considerando significativo p<0,05. Resultados: A média de idade foi de 18,9 anos e o IMC médio de 22,9 kg/m². Das participantes, 46,2% estavam eutróficas, 21,2% com sobrepeso e 28,8% com obesidade. O escore médio do EAAT-17 foi 31,79. As médias dos escores do EBQ-18 foram: crenças negativas (17,75), positivas (11,94) e permissivas (11,54), totalizando 41,23 pontos. Observou-se correlação positiva entre os escores de crenças alimentares e o comer transtornado, especialmente com crenças negativas e permissivas. Todas as crenças foram preditoras significativas do comer transtornado, independentemente do IMC, renda e status de trabalho. Conclusão: Crenças alimentares, especialmente negativas e permissivas, associaram-se a atitudes alimentares transtornadas. Recomenda-se que estratégias preventivas abordem essas crenças para reduzir comportamentos de risco.
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