Frequência de sobre peso e obesidade em estudantes acompanhados pelo programa saúde na escola: uma comparação entre os anos 2017 e 2024

  • Claudia Regina Marchetti Acadêmica do Curso de Nutrição da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, URI–Erechim, Rio Grande do Sul, Brasil.
  • Vivian Polachini Skzypek Zanardo Doutora em Gerontologia Biomédica pelo Instituto de Geriatria e Gerontologia da PUCRS, Docente do Curso de Nutrição da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, URI-Erechim, Rio Grande do Sul, Brasil.
  • Janine Martinazzo Doutora em Engenharia de Alimentos pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, Docente do Curso de Nutrição da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, URI-Erechim, Rio Grande do Sul, Brasil.
  • Raieli Segalla Nutricionista da Prefeitura Municipal de Erechim-RS, Brasil, Doutoranda em Engenharia de Alimentos pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, URI-Erechim, Rio Grande do Sul, Brasil.
  • Jaqueline Sturmer Doutora em Saúde Coletiva pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), Docente do Curso de Nutrição da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, URI–Erechim, Rio Grande do Sul, Brasil.
Palavras-chave: Estado nutricional, Estudantes, Política nutricional

Resumo

Introdução e Objetivo: Diante da transição nutricional e epidemiológica, com o aumento de casos de sobrepeso/obesidade em crianças e adolescentes, o Brasil criou o Programa Saúde na Escola (PSE), integrando ações de saúde e educação na rede pública de ensino. Este estudo objetivou comparar a frequência de sobrepeso e obesidade de estudantes de 0-16 anos inseridos no PSE nos anos de 2017 e 2024. Materiais e Métodos: Estudo transversal com dados secundários de estudantes da rede pública municipal de ensino de Erechim/RS. Peso e altura foram aferidos por nutricionistas do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e analisados conforme Índice de Massa Corporal por Idade, segundo a World Health Organization (WHO, 2006). Utilizou-se o teste qui-quadrado de Pearson para comparar a distribuição das características e estado nutricional entre os bancos de dados (p<0,05). Resultados: Foram avaliados 5177 estudantes em 2017 e 6131 em 2024, em que a maioria era do sexo masculino: 51,9% e 50,5%, respectivamente. Quanto à etapa de ensino, verificou-se diferença estatística significativa na distribuição dos estudantes entre os anos, especialmente na educação infantil, cuja proporção foi menor em 2024 (p=0,002). Observou-se maior frequência de eutrofia (61,7% vs 65,3%), menor de sobrepeso (19,9% vs 16,9%) e manutenção da frequência de obesidade (18,4% vs 17,8%) em 2024, quando comparado à 2017 (p=<0,001). Conclusão: Os resultados sugerem melhora no estado nutricional. Ações intersetoriais, o PSE, o PNAE e ações educativas podem ter influenciado esse cenário, destacando o papel das políticas públicas na promoção da saúde e prevenção da obesidade.

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Publicado
2026-01-26
Como Citar
Marchetti, C. R., Zanardo, V. P. S., Martinazzo, J., Segalla, R., & Sturmer, J. (2026). Frequência de sobre peso e obesidade em estudantes acompanhados pelo programa saúde na escola: uma comparação entre os anos 2017 e 2024. RBONE - Revista Brasileira De Obesidade, Nutrição E Emagrecimento, 20(126), 175-182. Recuperado de https://www.rbone.com.br/index.php/rbone/article/view/3147
Seção
Artigos Cientí­ficos - Original