Presença de ortorexia nervosa em nutricionistas e estudantes de nutrição

  • Ana Paula Bittar Trentin Nutricionista, Centro Universitário Campo Real, Guarapuava, Paraná, Brasil.
  • Débora Fernandes Pinheiro Nutricionista, Doutoranda em Engenharia de Alimentos, Universidade Federal do Paraná (UFPR), Docente do Departamento de Nutrição, Universidade Alto Vale do Rio do Peixe (UNIARP), Caçador, Santa Catarina, Brasil.
  • Caryna Eurich Mazur Nutricionista, Doutora em Medicina Interna, Universidade Federal do Paraná (UFPR), Docente da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Francisco Beltrão, Paraná, Brasil.
  • Josieli Maria Kosak Nutricionista, Mestranda em Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), Docente do Centro Universitário Campo Real, Guarapuava, Paraná, Brasil.
  • Emilaine Ferreira dos Santos Nutricionista, Mestre em Segurança Alimentar e Nutricional, Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO), Brasil.
  • Vania Schmitt Nutricionista, Doutoranda em Desenvolvimento Comunitário, Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO), Docente da Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO), Brasil.
Palavras-chave: Comportamento alimentar, Alimentação saudável, Transtorno alimentar, Ingestão alimentar

Resumo

A ortorexia nervosa (ON) é caracterizada como preocupação exacerbada com a alimentação saudável e pode levar a um comportamento patologicamente obsessivo. Objetivo: Avaliar o risco de desenvolvimento de ON em nutricionistas e estudantes de nutrição. Métodos: Participaram da pesquisa 234 indivíduos. O risco de desenvolvimento de ON foi avaliado por meio do questionário para identificação da ON (ORTO-15) e para a avaliação do consumo alimentar foi utilizado um questionário de frequência alimentar simplificado. Resultados: O risco de presença de ON foi identificado em 85,5% dos participantes, sendo identificado em 87,9% dos estudantes e em 83,5% dos profissionais. Quanto ao consumo alimentar, prevaleceu o baixo consumo de alimentos ricos em gorduras (88%) e consumo adequado de alimentos ricos em fibras (84,2%). Observa-se que os estudantes fazem um consumo maior de alimentos ricos em gorduras (p=0,012). Conclusão: Verificou-se que a maioria dos participantes possuem alta prevalência de risco de ON. No entanto, faltam estudos para determinar como são os atendimentos de tais profissionais a fim de avaliar se as condutas condizem com uma alimentação balanceada ou se há disseminação de hábitos extremamente rígidos condizentes com a ON. Sendo recomendada a realização de ações educativas sobre o assunto com estudantes e nutricionistas.

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Publicado
2023-05-03
Como Citar
Trentin, A. P. B., Pinheiro, D. F., Mazur, C. E., Kosak, J. M., Santos, E. F. dos, & Schmitt, V. (2023). Presença de ortorexia nervosa em nutricionistas e estudantes de nutrição. RBONE - Revista Brasileira De Obesidade, Nutrição E Emagrecimento, 17(107), 245-255. Recuperado de https://www.rbone.com.br/index.php/rbone/article/view/2232
Seção
Artigos Cientí­ficos - Original