Relação entre o comer intuitivo e o comer emocional em universitários
Resumo
Introdução e Objetivo: A adolescência e o início da vida universitária são períodos críticos para o desenvolvimento de comportamentos alimentares, influenciados por fatores emocionais, sociais e acadêmicos. Estudantes universitários, especialmente os da área da saúde, estão expostos a estresse acadêmico e preocupações com a imagem corporal, fatores que podem contribuir para o desenvolvimento de padrões alimentares disfuncionais, como alimentação emocional e descontrole alimentar. Este estudo teve como objetivo avaliar as relações entre alimentação emocional, comer intuitivo e descontrole alimentar em estudantes de Nutrição. Materiais e Métodos: A amostra foi composta por 47 universitários, com idades entre 18 e 19 anos. Foram aplicados os questionários Intuitive Eating Scale-2 (IES-2) e Three-Factor Eating Questionnaire-18 (TFEQ-18), ambos validados, para avaliar os comportamentos alimentares. Resultados e Discussão: Os resultados indicaram que participantes com menor adesão à alimentação intuitiva apresentaram escores mais elevados de alimentação emocional e descontrole alimentar. Além disso, identificou-se correlação positiva entre o IMC e maior preocupação com o controle alimentar. Esses achados sugerem que a alimentação intuitiva pode atuar como fator protetor contra comportamentos alimentares disfuncionais, promovendo uma relação mais saudável com a comida e reduzindo sua utilização como resposta emocional. Conclusão: Os achados reforçam a relação entre menor adesão à alimentação intuitiva e maiores escores de alimentação emocional e descontrole alimentar, evidenciando que a ausência dessa abordagem pode aumentar a vulnerabilidade ao uso emocional da comida e à perda de controle alimentar.
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