Relação entre o comer intuitivo e o comer emocional em universitários

  • Amanda Amorim Morais Paixão Centro Universitário São Camilo, Programa de Mestrado Profissional em Nutrição, São Paulo, São Paulo, Brasil.
  • Aline de Piano Ganen Centro Universitário São Camilo, São Paulo, São Paulo, Brasil.
  • Ana Carolina Barco Leme Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, São Paulo, São Paulo, Brasil e Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade Autônoma do Chile, Santiago, Chile.
  • Deborah Cristina Landi Masquio Centro Universitário São Camilo, São Paulo, São Paulo, Brasil.
Palavras-chave: Comer intuitivo, Estudantes, Comportamento alimentar, Emoções

Resumo

Introdução e Objetivo: A adolescência e o início da vida universitária são períodos críticos para o desenvolvimento de comportamentos alimentares, influenciados por fatores emocionais, sociais e acadêmicos. Estudantes universitários, especialmente os da área da saúde, estão expostos a estresse acadêmico e preocupações com a imagem corporal, fatores que podem contribuir para o desenvolvimento de padrões alimentares disfuncionais, como alimentação emocional e descontrole alimentar. Este estudo teve como objetivo avaliar as relações entre alimentação emocional, comer intuitivo e descontrole alimentar em estudantes de Nutrição. Materiais e Métodos: A amostra foi composta por 47 universitários, com idades entre 18 e 19 anos. Foram aplicados os questionários Intuitive Eating Scale-2 (IES-2) e Three-Factor Eating Questionnaire-18 (TFEQ-18), ambos validados, para avaliar os comportamentos alimentares. Resultados e Discussão: Os resultados indicaram que participantes com menor adesão à alimentação intuitiva apresentaram escores mais elevados de alimentação emocional e descontrole alimentar. Além disso, identificou-se correlação positiva entre o IMC e maior preocupação com o controle alimentar. Esses achados sugerem que a alimentação intuitiva pode atuar como fator protetor contra comportamentos alimentares disfuncionais, promovendo uma relação mais saudável com a comida e reduzindo sua utilização como resposta emocional. Conclusão: Os achados reforçam a relação entre menor adesão à alimentação intuitiva e maiores escores de alimentação emocional e descontrole alimentar, evidenciando que a ausência dessa abordagem pode aumentar a vulnerabilidade ao uso emocional da comida e à perda de controle alimentar.

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Publicado
2025-12-24
Como Citar
Paixão, A. A. M., Ganen, A. de P., Barco Leme, A. C., & Masquio, D. C. L. (2025). Relação entre o comer intuitivo e o comer emocional em universitários. RBONE - Revista Brasileira De Obesidade, Nutrição E Emagrecimento, 19(124), 1459-1469. Recuperado de https://www.rbone.com.br/index.php/rbone/article/view/3020
Seção
Artigos Cientí­ficos - Original