Resistência à insulina em idosos com osteoartrite: caracterização e fatores associados

  • Fabiulla Cristiane da Silva Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri-UFVJM, Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Idoso da UFVJM, Diamantina, Minas Gerais, Brasil.
  • Camila Souza Freitas Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri-UFVJM, Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde, Departamento de Nutrição, Diamantina, Minas Gerais, Brasil.
  • Lavinia Nancy Gonçalves de Freitas Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri-UFVJM, Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde, Departamento de Nutrição, Diamantina, Minas Gerais, Brasil.
  • Alessanda de Carvalho Bastone Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri-UFVJM, Programa de Pós-Graduação em Reabilitação e Desempenho Funcional, Departamento de Fisioterapia, Diamantina, Minas Gerais, Brasil.
  • Luciana Neri Nobre Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri-UFVJM, Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde, Departamento de Nutrição, Diamantina, Minas Gerais, Brasil.
Palavras-chave: Idoso, Osteoartrite, Resistência à insulina

Resumo

Estudos têm identificado que a resistência à insulina é um marcador de inflamação, e que há associação entre inflamação e desfechos metabólicos negativos. Considerando esses aspectos, o presente estudo tem como objetivo verificar a prevalência de resistência à insulina em idosos com osteoartrite do joelho (OAJ) e verificar os fatores associados a este problema. Trata-se de um estudo transversal realizado com uma amostra de conveniência de idosos com OAJ em tratamento fisioterapêutico e nutricional numa Clínica Escola de Fisioterapia. Os idosos foram submetidos à avaliação sociodemográfica, econômica, de saúde, antropométrica e bioquímica. Para análise estatística foi utilizada a regressão logística. Adotou-se um nível de significância 0,05. Participaram do estudo 33 idosos, dos quais 18,2% e 72,7% apresentaram respectivamente resistência à insulina e excesso de peso. A média de idade do grupo foi de 72 anos. A maioria é do gênero feminino (n=30, 90,0%), com elevado risco cardiovascular (n=29; 87,9%) e baixo grau de escolaridade (n=20; 60,7%). Grande parte dos idosos utilizavam 5 ou mais medicamentos por dia, sendo esses para tratamento de hipertensão arterial (n=25; 75,5%), seguido de osteoartrite (n=14; 42,0%), dislipidemia (n=9; 27,3%) e diabetes (n=7; 21,2%). Nenhuma variável avaliada apresentou associação com resistência à insulina. Os resultados desse estudo indicam que os idosos avaliados apresentam quadro preocupante, apresentam problemas que em conjunto os coloca em elevado risco cardiovascular, ou seja, apresentam excesso de peso, circunferência da cintura elevada, hipertensão arterial, diabetes e resistência à insulina, no entanto, não foram identificados fatores associados à resistência à insulina. Estes achados reforçam a necessidade de um cuidado integral à saúde desta população.

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Publicado
2025-07-18
Como Citar
Silva, F. C. da, Freitas, C. S., Freitas, L. N. G. de, Bastone, A. de C., & Nobre, L. N. (2025). Resistência à insulina em idosos com osteoartrite: caracterização e fatores associados . RBONE - Revista Brasileira De Obesidade, Nutrição E Emagrecimento, 19(120), 506-514. Recuperado de https://www.rbone.com.br/index.php/rbone/article/view/2770
Seção
Artigos Cientí­ficos - Original