Insatisfação corporal e comportamentos de risco para doenças crônicas não-transmissíveis em adolescentes do Brasil
Resumo
Objetivo: Analisar a associação entre insatisfação corporal e comportamentos de risco para doenças crônicas não-transmissíveis em adolescentes do Brasil. Materiais e métodos: Foram utilizados dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), do ano de 2019. A insatisfação corporal foi definida com base na pergunta: “Como você se sente em relação ao seu corpo?” e foram classificados com insatisfação corporal aqueles que responderam insatisfeito(a) ou muito insatisfeito(a). Os fatores de risco incluídos foram consumo regular de bebidas adoçadas, inatividade física e comportamento sedentário. Também foi analisado o acúmulo de fatores de risco para DCNT. As análises foram realizadas a partir de modelos de regressão de Poisson brutos e ajustados, com níveis de significância e intervalos de confiança determinados e foram realizadas no software Stata, versão 16.1. Resultados: 83,2% dos estudantes eram inativos fisicamente, 52,2% apresentaram comportamento sedentário e 17,1% tinham consumo regular de refrigerantes. A Insatisfação corporal foi associada a maior prevalência de consumo regular de bebidas adoçadas e comportamento sedentário em meninas e de inatividade física em meninos, sendo esse 5% maior em comparação àqueles sem insatisfação corporal. A insatisfação corporal foi associada a maior prevalência do acúmulo de fatores de risco em meninos e meninas, com maior efeito nas meninas. Conclusão: A adoção de comportamentos de risco para DCNT na adolescência pode causar desfechos de saúde adversos ao longo da vida. Por isso, é necessário que mais estudos avaliem essa associação para facilitar o entendimento da relação causa-efeito e auxiliar na tomada de decisões que minimizem o problema.
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