Relação do consumo de alimentos in natura, processados e ultra processados com gênero, idade e dados antropométricos

Franciele Cordeiro Machado, Fernanda Scherer Adami

Resumo


Observa-se o crescente aumento no consumo de alimentos processados, ultraprocessados e excesso de peso na população, por esse motivo objetivou-se identificar a relação do consumo de alimentos de acordo com o grau de processamento, com gênero, idade e dados antropométricos de adultos e idosos de um ambulatório de nutrição do interior do Rio Grande do Sul. Trata-se de um estudo quantitativo transversal, com 178 indivíduos. Utilizaram-se dados de peso, altura, circunferência abdominal (CA) e circunferência do pescoço (CP). Para verificação do consumo alimentar considerou-se um recordatório alimentar de 24 horas, e calculou-se a quantidade calórica total e de macronutrientes utilizando o Software de Nutrição DietWin Plus versão 2013. O consumo médio de alimentos in natura, processados e ultraprocessados foi 51,9%, 19,6% e 28,4%, respectivamente. A CA e CP aumentadas, o sobrepeso e obesidade foram verificadas em 87,6%, 84,3%, 15,7% e 64% dos indivíduos, respectivamente. Percebeu-se que quanto maior o peso do indivíduo, maior o percentual de lipídeos provenientes de alimentos processados (p=0,007). Os homens apresentaram consumo significativamente maior de calorias totais (p=0,001) provenientes de alimentos processados, e lipídeos (p=0,022) de alimentos ultraprocessados. Outros estudos demonstraram um crescimento no consumo de alimentos processados, ultraprocessados e excesso de peso, podendo resultar em malefícios à saúde e qualidade de vida das pessoas. Conclui-se que a maioria dos indivíduos apresentou excesso de peso e risco cardiovascular, o consumo de alimentos processados foi relacionado com CP aumentada e os indivíduos com excesso de peso foram relacionados com maior consumo de lipídeos provenientes dos alimentos processados.


Palavras-chave


Consumo de alimentos; Alimentos industrializados; Valor nutritivo; Estado nutricional

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